O Chalé no Fim do Mundo

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[Resenha] O Chalé no Fim do Mundo

Paul Tremblay tem um jeito todo particular de espalhar o horror por suas histórias. Foi assim em Na Escuridão da Mente e agora, de forma visceralmente diferente, em O Chalé no Fim do Mundo. É um autor peculiar com um estilo que não acho que seja fácil de agradar aos leitores. Suas obras exigem que se mergulhe fundo no caos que ele espalha e aí sim se entenda o tamanho do horror. Não é um escritor para principiantes.

A menina Wen, de sete anos, está de férias com seus pais, Eric e Andrew, em um chalé isolado perto de um tranquilo lago em New Hampshire. Numa tarde, quando Wen está caçando gafanhotos no jardim à frente da casa, um estranho aparece inesperadamente. Leonard é o maior homem que Wen já viu, mas ele é jovem e amigável, e a conquista quase de imediato. Leonard e Wen conversam e brincam até Leonard de repente pedir desculpas. “Nada do que vai acontecer é culpa sua”.

Outros três estranhos chegam ao chalé carregando objetos não identificáveis de aparência ameaçadora. “Precisamos de sua ajuda para salvar o mundo”. Assim começa uma narrativa insuportavelmente tensa e envolvente sobre paranoia, sacrifício, apocalipse e sobrevivência que se intensifica até culminar numa conclusão devastadora, na qual o destino de uma família inseparável está, possivelmente, entrelaçado ao futuro de toda a humanidade. (Resenha: O Chalé no Fim do Mundo – Paul Tremblay)

O Chalé no Fim do Mundo é uma obra de tensão e absurdo que cresce em espiral. As portas da insanidade são abertas com gosto para que se desenrolem os atos de uma peça sem explicação. Pense num local isolado, sem conexão com a internet, à beira de um lago e rodeado por uma floresta. Cenário perfeito para filmes de terror, certo? Tipo fantasmas e assombrações. Mas não. Terror de verdade se faz com humanos. E aí a rotina da garotinha Wen e seus pais Eric e Andrew é interrompida por estranhos travestidos de arautos de apocalipse. Quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, tal qual os quatro cavaleiros, chegam ao chalé armados trazendo uma proposta da qual depende o futuro do mundo.

A proposta é inaceitável, à primeira vista, e as justificativas não existem. Pelo menos não de modo racional. Sem um acordo, começa uma carnificina na luta pela sobrevivência digna das melhores histórias. Não há pudores no massacre e a tensão, que só cresce, colabora para que a mente de cada envolvido vá saindo do controle e deixe que a insanidade assuma as rédeas.

E qual a justificativa, o motivo, a causa, razão ou circunstância para tudo que está acontecendo? Também não sabemos. Há apenas a palavra dos estranhos e nossa fé ou não em sua sinceridade. Nós, leitores, ficamos no escuro tanto quanto os protagonistas, e não sabemos nada além do que é contado a eles. É um recurso interessante e que deixa a trama totalmente aberta à nossa interpretação.

O Chalé no Fim do Mundo é um livro único tanto pela qualidade em provocar tensão nos leitores quanto pela total falta de sentido em tudo o que está sendo narrado. Ele permite tanto se amar ou se odiar porque a última coisa com que Paul Tremblay se preocupou foi com detalhes que dessem verossimilhança ou que prendessem a atenção em uma narrativa com começo-meio-fim. Aqui existe apenas a narração de um episódio insano e inexplicável em que homens são movidos por uma crença – inspirada em vozes (???), e decidem partir para ação sem questionar nada. Do outro lado, uma família que já carrega um trauma do passado, se vê às voltas com a própria vida ameaçada e sem ter absolutamente nada a que se agarrar para fugir.

Extraindo toda a loucura dessa história, é possível nos questionar até onde a crença das pessoas em algo, ou alguém, pode fazer com que elas abram mão de toda a racionalidade que se espera dos seres humanos. Tal qual terroristas que se explodem em nome de um deus ou de uma causa, os “quatro estranhos” de O Chalé no Fim do Mundo também são movidos, e acreditam cegamente nisso, por uma causa em nome da salvação do planeta. Todos facilmente manipulados. Marionetes em um jogo que não sabemos que inventou e qual o seu propósito.

A loucura leva a um final desolador, mas esperançoso. O último parágrafo traz uma reflexão interessante que pessoalmente eu apliquei ao real mundo louco que nos rodeia. Talvez todo o absurdo que se passa n’O Chalé no Fim do Mundo nada mais seja do que uma metáfora de todo o absurdo que convivemos ou assistimos diariamente. Findei o livro me perguntando o quanto de mundo real se esconde por trás de cada cena dessa obra surreal.

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